Fechar barra lateral
Buscar conteúdo
Comentários recentes

    Estrelas do cinema, status, grandeza, opulência e sexualidade. Por muitos e muitos anos, a indústria tabagista investiu pesado (pesado mesmo!) em publicidade e propaganda, cercando suas marcas com conceitos desse tipo. O hábito de fumar estava longe de ser alimentado só pela objetividade. Sua estrutura narrativa se apoiava num discurso complexo e altamente emotivo.

    Lucky Strike, por exemplo, já utilizou a figura do Papai Noel para vender seus maços. E como não citar o caso emblemático da Marlboro e seus cowboys cheios de virilidade, força e aquele sentimento de proteção patriarcal? As marcas também apelavam ao bom humor e imagens de crianças associadas ao produto, quem sabe numa tentativa ingênua de transmitir a pretensa pureza do tabaco.

    Então, começa a decadência. Entidades e instituições ligadas à saúde fazem pressão nos governos para que esses inibam o consumo do cigarro. No Brasil, uma Lei de 1996 restringe a publicidade e propaganda. Outro golpe duro aqui no país vem em 2011, com a aprovação de Lei regulamentada em 2014 que estabelece restrição de consumo em locais total ou parcialmente fechados, além da proibição de fumódromos.

    Em 1º de dezembro de 2012, a Austrália tornou-e o primeiro país do mundo a padronizar as embalagens de cigarro: poucas cores e elementos; marca em fonte única e tamanho diminuto na parte inferior; pouca identificação com a fabricante; grandes áreas com advertências sobre os perigos oriundos do tabagismo. Na esteira, a Irlanda tomou medida semelhante à Austrália em 2014, sendo o primeiro país europeu a adotar tal postura.

    A tendência ao aumento de advertências nas embalagens, as restrições ao consumo e também à veiculação corroboram para a diminuição substancial do tabagismo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil “o consumo oficial de cigarros per capita reduziu-se em 65% entre 1980 e 2010”. Os atributos positivos antes vinculados às marcas cederam lugar aos malefícios da nicotina. O ato social, a aceitação em grupos e o status de ascensão foram substituídos pelo isolamento e repulsa, propagados na lógica do movimento antitabagista.

    Esse exemplo demonstra como a publicidade e a propaganda, num determinado contexto, podem auxiliar à construção positiva ou negativa da imagem de marca e, no caso, de todo um segmento. A publicidade e a propaganda não são entidades descoladas dos movimentos sociais, culturais e econômicos. São disciplinas temporais que ligam pessoas, ideologias, produtos e serviços numa relação comercial e afetiva, nem sempre em consonância aos ideais capitalistas.

    Fontes: Blog Marketing Digital (http://goo.gl/ZaO22p) | INCA (http://goo.gl/NuFMrC)

    Veja também
    Arquivo de Ideias
    Redes Sociais
    Contato

    Rua Dal Canalle, 2186 - sala 8001
    Caxias do Sul / RS

    (54) 3028-6094 contato@quantaideias.com.br

    © Quanta Ideias - 2013